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Polícia passa a investigar seguranças acusados de não ajudar mulher agredida pelo marido em frente de casa

Giulia Melo Falcão Vel Kos, de 27 anos, relatou agressões de marido Reprodução/TV Globo Os dois seguranças acusados pela cirurgiã-dentista Giulia Falcão,...

Polícia passa a investigar seguranças acusados de não ajudar mulher agredida pelo marido em frente de casa
Polícia passa a investigar seguranças acusados de não ajudar mulher agredida pelo marido em frente de casa (Foto: Reprodução)

Giulia Melo Falcão Vel Kos, de 27 anos, relatou agressões de marido Reprodução/TV Globo Os dois seguranças acusados pela cirurgiã-dentista Giulia Falcão, de 27 anos, de não terem prestado ajuda enquanto ela era agredida pelo marido, na calçada, em frente à sua casa em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, passaram a ser investigados pela Polícia Civil, informou a Secretaria da Segurança Pública ao g1 nesta terça-feira (19). 🔍Ivo Vel Kos, de 48 anos, empresário conhecido no mercado financeiro, foi preso na madrugada de sábado (15). Seu advogado de defesa, Davi Gebara, disse não vai se manifestar no momento. Ele se tornou réu por lesão corporal e ameaça (veja mais abaixo). "O caso foi registrado como lesão corporal, ameaça e violência doméstica, sendo relatado à Justiça. Quanto à atuação dos seguranças, os fatos são investigados no 15º DP (Itaim Bibi), que prossegue com as diligências para esclarecer todos os fatos", afirmou a pasta. Imagens de câmeras de segurança registraram parte da ocorrência. Nas gravações, o carro do casal chega à rua onde fica a residência, e Giulia desce do veículo. Em seguida, Ivo aparece nas imagens. É possível ver o momento em que ele avança em direção à mulher e desfere um soco, fazendo com que ela caia para trás (veja abaixo). Ao g1, Giulia relatou que os dois seguranças foram omissos e a deixaram ser agredida pelo marido mesmo ela gritando e pedindo por socorro. “Eu desci do carro pedindo socorro aos seguranças da rua. Eles não me ajudaram a pedido do Ivo. Eu chorava, gritava, e eles não faziam nada. Eu gritava pedindo ajuda. Nisso, ele [marido] me desferiu um golpe no rosto e conseguiu me levar para dentro de casa à força, e as agressões continuaram”, relatou. E complementou: "Na casa, eu consegui me trancar no banheiro e tentar ligar pro 190. O telefone não tinha linha. Aproveitei um descuido dele e consegui correr e fugir para a rua novamente aos gritos, o que fez com que todos os vizinhos saíssem e foram eles que me salvaram porque ele ia me matar. Os vizinhos afastaram ele de mim e me acolheram em casa até a chegada da polícia". Empresário da Faria Lima (SP) é preso acusado de espancar a esposa Nesta quarta-feira (19), a Justiça de São Paulo concedeu medidas protetivas de urgência à vítima e determinou a restituição de bens pessoais e do veículo de propriedade dela. Até esta terça-feira (18), Giulia não estava conseguindo acessar sua casa depois que parentes trocaram a fechadura. “Eu saí do hospital e fui lá [na casa]. Meus sogros proibiram minha entrada, e o chaveiro estava trocando a fechadura. Eu falava com meus funcionários, e eles estavam com medo. Fizeram isso porque defendem o filho”, contou Giulia ao g1. Com a medida protetiva concedida, Ivo não poderá manter contato com Giulia por qualquer meio, seja eletrônico, pessoalmente ou por terceiros. A decisão também estabeleceu distância mínima de 300 metros da vítima, de sua residência, local de trabalho e familiares. LEIA MAIS: Vítima de violência doméstica diz que não consegue entrar na própria casa Empresário vira réu por lesão corporal e ameaça após agredir a esposa Empresário preso por agredir mulher é investigado por ameaçar e atacar homem em sinagoga Quem é Ivo Kos, o empresário da Faria Lima preso por agredir a mulher em SP Agressões Vídeo mostra momento em que dentista é agredida por empresário da Faria Lima Reprodução/TV Globo Ivo é conhecido no mercado financeiro por ter sido sócio-fundador da antiga securitizadora Virgo, que ficava na região da Faria Lima. A empresa se envolveu em um escândalo financeiro em 2025 por ter sido alvo de investigação por fraude. De acordo com o boletim de ocorrência, Giulia relatou que as agressões começaram após uma discussão entre o casal durante o retorno para casa, por volta das 23h. Segundo ela, Ivo desferiu socos contra seu rosto e seu corpo ainda dentro do carro. Ainda segundo o relato registrado no BO, ao chegar próximo à residência, Giulia tentou sair do veículo e pedir ajuda. Ela afirmou que Ivo continuou a agredi-la com um taco de beisebol e que utilizou uma arma de choque para ameaçá-la. A mulher afirmou que tentou ligar para a Polícia Militar, mas ele pegou o celular dela. 'Dessa vez, ele tentou me matar', disse ex-mulher de Ivo Kos Ao g1, Giulia contou que o trajeto entre o local onde estavam e a casa durava cerca de oito minutos e que as agressões continuaram quando chegaram à rua do imóvel. Giulia disse que conseguiu se trancar no banheiro e tentou novamente chamar a polícia, mas o telefone estava sem linha. Ela afirmou que aproveitou um descuido do marido para fugir novamente para a rua. Giulia publicou um relato sobre as agressões nas redes sociais e fotos do rosto. Segundo ela, decidiu tornar o caso público porque, em episódios anteriores, o marido teria negado as agressões. "Eu vi a morte de perto. Resolvi mostrar para que minha palavra não deixasse de valer diante da dele. Ela já pratica agressão física contra mim desde o namoro e faz tortura psicológica. Meu marido tem uma imagem de bom-moço, homem de honra. Eu já falei em público diversas vezes e, quando ele nega, ninguém acredita [em mim]", disse. Prisão Empresário é preso por agredir mulher em SP Segundo o boletim, policiais militares foram acionados pelo Copom para atender à ocorrência. No local, os agentes ouviram versões diferentes do casal e constataram lesões aparentes nos dois. Giulia foi encaminhada à 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Norte, onde prestou depoimento e pediu medida protetiva. Os dois foram submetidos a exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML). A delegada de plantão determinou a prisão em flagrante de Ivo Vel Kos por lesão corporal e ameaça, com aplicação da Lei Maria da Penha. Ele também foi indiciado pelos crimes. No depoimento, Ivo negou ter agredido Giulia dentro do carro e afirmou que ela começou a atacá-lo com socos e chutes. Segundo ele, houve uma discussão após o casal retornar de um jantar, e Giulia teria ficado alterada após ingerir bebidas alcoólicas. Ivo também negou ter agredido a mulher dentro da residência, ter utilizado um taco de beisebol contra ela ou tê-la ameaçado com uma arma de choque. Ele afirmou ainda que foi Giulia quem o ameaçou de morte. Segundo Giulia Falcão, um taco de beisebol foi usado pelo marido nas agressões Arquivo Pessoal O que diz a Secretaria da Segurança Pública "Um homem de 48 anos foi preso em flagrante na madrugada desta sexta-feira (15), na Rua Desembargador Mamede, na zona oeste da capital. A vítima, uma mulher de 27 anos, relatou ter sido agredida, além de ameaçada. Ambos apresentaram lesões aparentes e foram encaminhados para exame de corpo de delito. O caso foi registrado como lesão corporal, violência doméstica e ameaça na 4ª DDM. A prisão foi convertida em preventiva." O que diz a empresa de segurança "O Grupo Previx, empresa de segurança que atua na região, contesta a versão apresentada pela defesa e afirma que é preciso diferenciar dois profissionais que, segundo a empresa, estavam no local. A empresa afirma que um agente do Grupo Previx fazia patrulhamento de rotina quando identificou a situação e, segundo o relato dele, acionou imediatamente a Polícia Militar. Ainda de acordo com a Previx, o funcionário permaneceu próximo ao local para prestar apoio. A empresa afirma que as imagens não registraram esse profissional participando ou auxiliando o agressor na condução de Giulia até a residência. Já o homem que, segundo a versão da vítima, teria ajudado a levar a dentista em direção ao imóvel seria, de acordo com a Previx, um segurança local, também chamado de “guariteiro”. A empresa afirma que ele não integra seu quadro de funcionários e não tem relação com o Grupo Previx. A Previx disse lamentar profundamente o ocorrido, solidarizar-se com Giulia e permanecer à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos. A empresa também afirmou repudiar qualquer conduta que desrespeite a vontade de uma pessoa, especialmente uma potencial vítima de violência doméstica". Giulia e Ivo Reprodução/TV Globo